Artistas repudiam "política do coturno" em Pinheirinho

•25 de Janeiro de 2012 • Deixe um Comentário

Postado pelo blog Viva Babel

Há muito tempo não vejo isso, dignidade ao vivo no meio cultural, há muito tempo de boca calada. Tratou-se de um texto coletivo previamente combinado, e quem fosse chamado primeiro leria. Leram Juliana Rojas e Marco Dutra, diretores de “Trabalhar Cansa”.

TEXTO LIDO NA CERIMÔNIA DE ENTREGA DO PRÊMIO GOVERNADOR DO ESTADO, NA PRESENÇA DE GERALDO ALCKMIN E ANDREA MATARAZZO.

Moção de repúdio à política do coturno em Pinheirinho De um lado, pelo menos 1.600 famílias que lutam pelo direito de morar no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), ocupação que tem oito anos de existência.
Do outro, mais de 2.000 policiais militares e civis cumprindo ordens da Justiça Estadual e da Prefeitura de São José dos Campos, em favor da massa falida da empresa Selecta, pertencente ao mega-especulador Naji Nahas.
Ainda que não houvesse outras circunstâncias agravantes no caso, já seria possível constatar que as instâncias dos poderes executivo e judiciário fizeram a opção, em Pinheirinho, pela lei que protege a especulação imobiliária, em detrimento do direito das pessoas à moradia. Vence mais uma vez a política do coturno em prol do capital.

De um lado, bombas, armas, gases, helicópteros, tropa de choque. Do outro, dois revólveres apreendidos. Não há notícia de que tenham sido usados. Uma praça de guerra é instalada – numa batalha em que um exército ataca civis. Não há plano de realocação das famílias.

As que não conseguiram ou não quiseram fugir, ou receberam dinheiro para passagens para outras cidades, ou estão sendo mantidas cercadas, com comida racionada, como num campo de concentração.
A imprensa não pode entrar no local, não pode fazer entrevistas, e os hospitais da região não podem informar sobre mortos e feridos. O que se quer esconder? O Governo do Estado lavou as mãos diante do caso, assim como o Superior Tribunal de Justiça. O Governo Federal tardou em agir.

A chamada “função social da propriedade”, prevista na Constituição Brasileira, revelou-se assim como peça de ficção, justamente onde a ficção não deveria ser permitida. Mais uma vez, o Estado assume o papel de “testa de ferro” para as estripulias financeiras da “selecta” casta de milionários e bilionários.

A política do coturno em prol do capital vem ganhando espaço. Assim está acontecendo na higienização do bairro da Luz, em São Paulo, preparando-o para a especulação imobiliária; assim vem acontecendo na repressão ao movimento estudantil na USP, minando a resistência à privatização do ensino; assim acontece no campo brasileiro há tanto tempo, em defesa do agronegócio. Os exemplos se multiplicam.
E não nos parece fato isolado que, hoje, a quase totalidade dos subprefeitos da cidade de São Paulo sejam coronéis da reserva da PM. Nós, trabalhadores artistas, expressamos nosso repúdio veemente a esse tipo de política. Mais 1.600 famílias estão nas ruas: a lei foi cumprida. Para quem?

Elis Regina: Samba Dobrado (Montreux: 20/07/79)

•25 de Janeiro de 2012 • Deixe um Comentário

Elis Regina – Samba Dobrado (Montreux.79-07-20) from periko on Vimeo.

Bessinha: Aniversário de São Paulo

•25 de Janeiro de 2012 • Deixe um Comentário

Pinheirinho: Naji Nahas tem interesses no despejo de moradores, afirma Protógenes

•23 de Janeiro de 2012 • Deixe um Comentário

Do site da Carta Capital

por Fernando Vives

Naji Nahas
O conflito fundiário em Pinheirinho, São José dos Campos (SP), teve seu ponto de partida com dois mistérios que já duram em torno de 30 anos.
O primeiro: as terras, que medem mais de 1 milhão de metros quadrados e atualmente são avaliadas em 180 milhões de reais, pertenciam a um casal de alemães assassinados em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Eles não possuíam herdeiros.
O segundo mistério: ninguém ainda soube desvendar como a área passou das mãos do Estado, responsável automaticamente pelas terras após a morte do casal, para a gama de propriedades da Selecta, a empresa do megaespeculador Naji Nahas.
Após 1989, a Selecta faliu a partir das operações malsucedidas de Nahas na Bolsa do Rio. A área do Pinheirinho passou a ser parte da enorme massa falida da empresa. Responsável por levar Nahas à prisão, em 2008, o delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), hoje deputado federal, visitou o Pinheirinho no último domingo 22 para acompanhar a expulsão dos moradores do terreno.
Segundo ele, a relação entre o megaespeculador e a massa falida é fundamental para entender a desocupação violenta ocorrida no fim de semana.
“Se a região por vendida, esse valor será descontado da massa falida da Selecta, que se abaterá das dívidas que estão no nome de Naji Nahas. Ele é interessado direto em desalojar as pessoas que estão lá”, afirma.
O deputado, que articulou a Operação Satiagraha em 2008, na qual Naji Nahas foi preso por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, acredita que o poder de influência do empresário foi fundamental para a ação de despejo da polícia no local.
“Ele [Nahas] tem muita influência, sabe se mover entre autoridades, sempre foi assim. As circunstâncias desse desalojamento foram estranhas. A massa falida que detém oficialmente os direitos da área era judicialmente obrigada a fornecer local seguro aos habitantes do Pinheirinho. Isso não foi providenciado. E as autoridades mesmo assim cumpriram a ordem de despejo”.
O deputado disse também que vai pedir na Câmara Federal a criação de uma comissão para investigar se houve grilagem na passagem do nome da área para a Selecta.

As Imagens do Pinheirinho que Ninguém Viu

•23 de Janeiro de 2012 • Deixe um Comentário

Postado por: DoLaDoDeLá

Laerte Braga: "Tá tudo dominado" – A barbárie em Pinheirinho

•22 de Janeiro de 2012 • Deixe um Comentário

Postado por: Juntos Somos Fortes

Massacre no Pinheirinho (São José dos Campos – SP)

Geraldo Alckimin e Gilberto Kassab são duas pessoas que sorriem à sua frente e enfiam a faca pelas costas. Um é tucano, outro é assemelhado. Um pertence a OPUS DEI – ordem religiosa fascista que controla o Vaticano – e outro tem sua própria quadrilha, agora chamada PDS, ou coisa assim.

A juíza Márcia Faria Mathey Loureiro, da 6ª Vara Cível, na calada da noite, autorizou o governo do estado a invadir o bairro de Pinheirinho e reintegrá-lo a seus dois “proprietários”, os bandidos Nagi Nahas e Daniel Dantas. Desobedeceu a um despacho de um desembargador do Tribunal Regional Federal da região alegando não ter sido notificada.
Mentira. Está no bolso dos bandidos. Tinha plena consciência do crime que cometeu, mas com certeza a propina compensou. A decisão do desembargador foi tomada na sexta-feira, dia 20 e foi pública e notória a partir dos veículos de comunicação, inclusive da mídia venal, a de mercado.
O resultado?
Juíza Márcia Faria Mathey Loureiro 
Um massacre promovido pela Polícia Militar contra mais de seis mil pessoas. Polícia Militar é um instrumento das elites políticas e econômicas, braço de quadrilhas de bandidos como Nahas, Dantas, Kassab, Alckimin e em qualquer estado da dita Federação brasileira é assim. Existe para isso. Tem a natureza bárbara, boçal, corrupta, ingredientes característicos do modelo político e econômico.
E a covardia, naturalmente. Não era nem necessário escrever. Como “instituição policial” não existe, é uma anomalia. Resquício que vem desde os tempos das antigas províncias e seus “coronéis” e se mantém intacta em seu caráter de aberração com os atuais chefes políticos, donatários de um País cada vez mais dominado por um capitalismo selvagem e criminoso, o que também é desnecessário dizer, pois o capitalismo em si é selvagem e criminoso.
A mídia de mercado limitou-se a noticiar o fato sem a sua devida importância, já que é outro braço dos bandidos. E dominada e dirigida por bandidos.
Uma juíza estadual propinada pode mais que um desembargador federal.
É o efeito 700 mil reais que o “ministro” Marco Aurélio Mello, usou para salvar a pátria de César Peluso e Ricardo Lewandowsky na corrupção que permeia o Judiciário em sua maioria hoje. Limitar a ação do CNJ – Conselho Nacional de Justiça.
Havia um acordo para suspensão do pedido de reintegração de posse. O governo federal manifestara interesse em encontrar uma solução para garantir o direito dos moradores do Pinheirinho. Mas vale mais uma juíza corrupta na calada da noite, um governador amoral e fascista e um prefeito movido a propina e outras coisas mais.
O que está acontecendo – no momento que escrevo – é um massacre contra civis desarmados, contra trabalhadores, em defesa dos interesses de dois criminosos que remuneram governos como o de Alckimin.
São os quatrocentos vestidos de D. Lu Alckimin para “ajudar os pobres” e guarnecer seu guarda-roupas.
Esquema mafioso FIESP/DASLU. Nagi Nahas e Daniel Dantas entram e saem da cadeia sem qualquer problema. Têm Gilmar Mendes à disposição para conceder habeas corpus, juízes em instâncias inferiores e são patrões de Alckimin e Kassab.
Em São Paulo a democracia – fajuta – foi para o espaço. O estado de direito entortou. O juiz que comanda in loco a operação é irmão de um deputado do PSDB.
A despeito dos crimes revelados pelo livro PRIVATARIA TUCANA a quadrilha continua a agir impunemente.
E onde está ou estava o ministro da Justiça que é de São Paulo, deveria ter imediatamente se dirigido ao empregado de Dantas e Nahas, o que chamam governador?
Daniel Dantas e Naji Nahas
Por volta das 11 horas da manhã uma Oficial de Justiça entregou ao juiz estadual Rodrigo Capez – corrupto também – uma ordem do juiz federal de plantão Samuel de Castro Barbosa Melo suspendendo a reintegração de posse. Irmão do deputado tucano Fernando Capez, o juiz estadual disse na bucha que não iria cumprir a ordem, pois havia um “conflito de competência”. Deve ser preso imediatamente. Teria que aguardar a decisão sobre o conflito que alegou existir. Capez estava no local comandando a violência.
O Judiciário Federal é outro que foi para o espaço nessa operação. Desacatado em todos os sentidos.
Será que alguém acredita que a Corregedoria Estadual vai punir os juízes como quer Marco Aurélio Mello, castrando o Conselho Nacional de Justiça para salvar 700 mil reais de César Peluso e Ricardo Lewandowsky?
E as famílias do Pinheirinho? As vítimas do massacre?
O STJ – Superior Tribunal de Justiça – signatário de um acordo com o Banco Mundial para garantir a propriedade privada, devolveu as fazendas de Daniel Dantas e as 450 mil cabeças de gado, anulando a Operação Satiagraha. As provas colhidas pelo delegado e hoje deputado Protógenes Queiroz mostravam que os bens eram produto de lavagem de dinheiro do criminoso. Foram declaradas nulas pelo STJ.
A ordem foi dada pelo juiz Douglas Camarinha Gonzáles, que cumpriu a decisão do STJ e que ao fazê-lo deixou registrado de forma clara – “decisão judicial não se discute, cumpre-se”.
O que o episódio de Pinheirinho deixa claro e outros, as manifestações estudantis em Vitória, Teresina e em Recife, toda a corrupção envolvendo o governo Roseana Sarney, o que tudo isso mostra é que vivemos uma democracia de fachada, num País cada vez mais privatizado e um Estado controlado por banqueiros, grandes corporações e latifundiários.
A imensa e esmagadora maioria de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, vereadores, prefeitos, membros do Judiciário, são meros empregados desses controladores.
Vale dizer que não existe saída dentro da chamada ordem institucional, pois nela não existe de institucional nada além do capitalismo voraz e sua principal conseqüência, ou seu principal aliado, a corrupção. Ou os dois.
A luta popular é o caminho para a democracia real e efetiva e se faz com organização e objetivos claros e definidos que não passam por eleições em que bancos, empresas, latifúndios e “igrejas” compram mandatos.
O fecho dessa semana tanto foi a barbárie em Pinheirinho, como a reação dos moradores do bairro. Um exemplo. Mas ainda assim insuficiente para enfrentar os quadrilheiros que se apossaram da máquina estatal.
Laerte Braga

Latuff: Pinheirinho

•22 de Janeiro de 2012 • Deixe um Comentário

Fonte: Latuff Cartoons